A morte do assessor especial do governador Paulo Câmara Ivan Rodrigues, na última terça, no Recife, repercutiu no Plenário da Assembleia Legislativa. A Casa fez um minuto de silêncio em homenagem ao militante histórico socialista, a pedido de Aluísio Lessa, do PSB. O parlamentar destacou a relevante carreira do político e advogado, e os diversos cargos ocupados nas gestões dos ex-governadores Miguel Arraes e Eduardo Campos. Ele tinha 94 anos.
“Nasceu em Garanhuns, e de Garanhuns despontou para a política do estado, foi um defensor da democracia, foi um grande e fiel amigo do ex-governador doutor Arraes e do seu neto Eduardo Campos.E, no primeiro governo de doutor Arraes, antes de 64, ele ocupou o cargo de presidente da Companhia de Industrialização do Leite de Pernambuco, a antiga Cilpe, pra exatamente fomentar a bacia leiteira do estado de Pernambuco, a Cilpe tinha um papel fundamental nisso”.
Em aparte, João Paulo Lima, do PCdoB, lembrou do convívio com o político, e sua postura conciliadora em relação ao movimento trabalhista. Ivan Rodrigues era presidente da Companhia de Industrialização de Leite de Pernambuco, Cilpe, na ocasião do Golpe Militar de 64, e foi preso pelas tropas do Exército ao lado do então governador Miguel Arraes.
Romário Dias, do PSD, lembrou a boa relação com Rodrigues, que era amigo da família do parlamentar. O pai de Romário era prefeito de Correntes, no Agreste Meridional, e dirigente local do PTB, partido do presidente deposto João Goulart, e também foi afastado pelos militares. “Ivan Rodrigues conhecia detalhes, conhecia tudo o que ocorria em Pernambuco e você não via ele aparecer nem em televisão, nem em rádio, nem blog, que na época não existia, mas ele sempre foi uma pessoa muito reservada, mas um homem de um conhecimento político monstruoso”.
João Paulo Lima ocupou a tribuna no Grande Expediente para criticar a política do Governo Federal em relação à Petrobras. Segundo o parlamentar, ao invés de fortalecer o controle estatal, prefere entregar a empresa à iniciativa privada: “O projeto anterior dos Governos Lula e Dilma era o inverso. Se a expansão do parque de refino planejada nas gestões petistas não tivessem sido interrompidos ou sabotados, o Brasil estaria hoje exportando derivados de alto valor agregado, e não óleo cru. Ao invés disso, a Petrobras transfere o petróleo e o pré-sal para outros países refinarem”.
A gestão dos recursos do Fundo Estadual de Segurança Pública pautou discurso de Priscila Krause, do Democratas. A deputada criticou o Governo por não dar destino aos 86 milhões de reais de saldo do mecanismo, segundo a parlamentar, para proteger a população pernambucana: “Infelizmente, isso é tudo fruto de uma falta de liderança, que tira o estado do prumo, mas a gente volta aqui a essa tribuna pra fazer o apelo ao governador Paulo Câmara, pra que ele deixe, saia do imobilismo que lhe é característico, que encontre em algum lugar a competência que lhe falta. A liderança que ele não tem. Mas que ele não desperdice 86 milhões de reais que estão prontos e à disposição do Estado de Pernambuco, do cidadão pernambucano”.
Em aparte, Antonio Coelho, do Democratas, Romero Sales Filho, do PTB, e Coronel Alberto Feitosa, do PL, opinaram que a falta de comando é a causa para o aumento da insegurança em todas as regiões do estado.
Outros temas movimentaram a reunião plenária dessa quarta. Jô Cavalcanti, do mandato coletivo Juntas, do PSOL, abordou a décima oitava edição do Acampamento Terra Livre, em Brasília, movimento de luta pela demarcação de territórios indígenas no Brasil. A parlamentar aproveitou o tempo na tribuna para criticar o projeto de lei 191, que libera a mineração em terras pertencentes às tribos.
Erick Lessa, do PP, registrou a solenidade de entrega do Título de Cidadão de Pernambuco, na última terça na Alepe, a servidores públicos que lutam contra o crime organizado. O promotor de Justiça Sérgio Tenório de França, natural de Alagoas, e o delegado Jean Rockfeller da Silva Alencar, nascido na Paraíba, receberam a homenagem por iniciativa do deputado.
Na tribuna, Erick Lessa ainda comemorou as oportunidades de trabalho e renda gerados pelo espetáculo da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, na Região Agreste. De acordo com ele, serão cerca de oito mil pessoas beneficiadas direta ou indiretamente pela peça teatral, que estreia no dia nove de abril.
O tema dos benefícios de aposentadoria negados pelo INSS voltou ao plenário em falas de Doriel Barros, do PT, e do Coronel Alberto Feitosa. Para o petista, a previdência fechou as portas para o trabalhador rural. Em tom de elogio à Previdência Social, Feitosa apontou que os sindicatos rurais não vão mais intermediar a aposentadoria rural, e que o próprio trabalhador do campo vai poder solicitar o benefício direto pelo celular.
José Queiroz, do PDT, lamentou as mais de 300 mortes por Covid ocorridas no Brasil desde a última segunda. O parlamentar questionou se o país já está pronto para dispensar todos os protocolos sanitários. E lembrou que a China voltou a confinar milhares de pessoas em razão de novos surtos.
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